Temos, como tema nuclear nos evangelhos mais conhecidos, a questão do Reino de Deus.
Jesus, desde o princípio de suas pregações, e mesmo antes
delas, já falava sobre este conceito central.
No belíssimo livro BOA NOVA, ditado pelo Espírito Humberto de Campos à
Francisco Cândido Xavier (cap. 3) lemos que, quando questionado pelo orgulhoso
sacerdote Hanã, nas cercanias do Templo sobre suas intenções ali em Jerusalém,
teria respondido serenamente, ao impiedoso saduceu: “Passo por Jerusalém,
buscando a fundação do Reino de Deus.”
Entretanto, este Reino não seria fundado nem na forma,
tampouco no momento esperado por muitos. Os hebreus aspiravam por um novo Reino,
em um lugar específico (preferencialmente na Judeia), com leis e regras
humanas, e se preciso fosse, com a mão pesada de cavaleiros e generais, tendo
como gestor principal, o Messias que colocaria todas as coisas em ordem,
erguendo mortos dos túmulos mais próximos do Templo, expulsando invasores,
trazendo paz e harmonia ao mundo, a partir de Jerusalém.
Entretanto, o Reino proposto por Jesus é outro. Ele não tem
um tempo definido, nem terras demarcadas, mas já está no âmago de cada coração,
em forma potencial, devendo eclodir e crescer através dos nossos sentimentos
que vão sendo melhorados nas experiências e relação com as pessoas, no mundo.
Com Jesus aprendemos, com sua linguagem simbólica e poética,
que o Reino é, ao mesmo tempo uma graça e uma conquista.
Embora já tenhamos a semente do Reino em nós (graça), será
preciso primeiramente encontrá-la, reconhecê-la e cultivá-la (conquista), para
que germine, forme broto, cresça e dê frutos, cabendo a cada qual esta
percepção, cultivo, cuidado e partilha, no mundo.
O Reino seria, em resumo, a conquista de um estado do Ser. A
verdadeira Paz e o impulso do Amor guiado pela Sabedoria.
Sua semente vem de Deus.
O cuidado (para que cresça) cabe a cada um.
Percebam: podemos passar séculos ou mesmo milênios sem nos
darmos conta de que temos este tesouro sagrado em nós, buscando fora (seja nos
bens, nas relações, nas disputas) aquilo que jamais esteve lá, não é mesmo?
No Evangelho de Lucas, nosso Mestre deixa isso claro, no
capítulo 17, versículos 20 e 21. Quando interrogado pelos fariseus sobre quando
havia de vir o reino de Deus, respondeu-lhes: “O reino de Deus não vem com
aparência exterior. Nem dirão: Ei-lo aqui, ou: Ei-lo ali; porque eis que o
reino de Deus está dentro de vós.”
Portanto, aqueles que dizem “terei paz quando não me faltar
mais dinheiro...” ou “serei feliz quando formar minha família” ou “quando puder
alcançar um posto de destaque no mundo”, etc. estão equivocados pois buscam no
exterior algo que jamais esteve lá.
Sim, nós podemos ter (e temos!) momentos especiais com
viagens, familiares, conquistas... mas basta um revés em um destes assuntos, ou
mesmo a falta de saúde para percebermos que a paz se foi, já que estava
atrelada a algo fora de nós.
Se soubermos sobre nossa própria divindade e a reconhecermos
nos demais Seres, não mais disputas incabíveis, rivalidades infantis, buscas
insanas neste mundo. Por que haveríamos de nos combater se todos somos irmãos,
filhos da mesma divindade, com o mesmo destino?
O amor é o meio, a perfeição possível é o fim.
A ideia é simples, mas o exercício (o cuidado) demanda lucidez espiritual.
Se Deus nos permite usarmos nosso livre-arbítrio, mesmo
quando nos sabotamos, prejudicando a nós e aos demais, verdade é que, no tempo
por Ele determinado, precisaremos caminhar adiante, já que somos perfectíveis,
e estamos fadados ao desenvolvimento.
Sendo assim, a Vida, com seus múltiplos recursos
(principalmente o da dor), irá nos colocar em ‘situações promissoras’ para que
venhamos a reconhecer quem somos, onde estamos e para onde devemos ir. É o
imperativo divino que exige o Reino seja visto e cresça, em nós. É da Vontade
do Pai!
Neste sentido, enchendo-nos de esperança e força, disse-nos
Jesus, no Sermão do Monte: “Vós sois a luz do mundo (...) Assim brilhe
também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas
obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus.” (Mateus, 5:14-16).
Somos a luz. Reconheçamos isso! A partir daí, devemos
alumiar, espalhar essa luz, através de nossas obras, em nome do Pai, por amor a
Ele, a nós e aos demais.
Este é o Reino que Jesus veio fundar nesse mundo!
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