domingo, 29 de outubro de 2017

Lucano: um homem e sua trilha de superação

Quando entre os encarnados, Jesus costumava comentar que todos os males humanos tinham como gênese o orgulho e o egoísmo. Já sabemos que o primeiro costuma se desdobrar em vaidade, presunção, preconceito, isolamento e busca pelo poder. O segundo, quando presente, pode nos tornar sovinas, narcisistas, aproveitadores, gananciosos… e por aí, vai.

Já em Kardec compreendemos que, se nascemos no planeta Terra, perfeitos é que não somos. Ao contrário: reencarnar por aqui é sinônimo de grandes mazelas… 

Aliás, basta rápida observação para percebermos isto.

Por outro lado, estamos em evolução. E entendo que o fato de elegermos um ideal a seguir, um modelo moral ou mesmo de superação, nos torna mais seguros nesta trilha evolutiva, mais dispostos na marcha e melhor orientados no roteiro, afinal, se outros conseguiram atingir a sabedoria, por que não todos nós? Se somos filhos de um mesmo Deus, por que alguns estariam fadados ao fracasso? Jamais!

Penso que o tempo que levaremos até este feito grandioso acontecer (superarmos nossos vícios, angariarmos todas as virtudes e aprendermos sobre todas as coisas), correrá por conta do uso do nosso livre-arbítrio acrescido dos eventos sociais que nos influenciam nesta jornada. 
Digo isso porque de um lado temos a nossa responsabilidade, enquanto espíritos encarnados e, de outro, a responsabilidade do pequeno grupo que nos acolhe (família) e da sociedade em geral. Nem sempre conseguimos vencer nossas mazelas de forma mais ampla, principalmente quando a educação recebida não trouxe orientações amorosas…

Bem, conto a vocês que elegi, por motivos variados, Jesus como modelo e guia. E, em todas as manhãs, quando acordo, faço a prece pela Paz, que tem logo na sua primeira frase um acordo de compromisso: “Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz…” O que significa dizer: "Senhor, trabalho para ti, em tua Seara. Me aceite sempre, por favor, e me ajude para que eu consiga manter este posto, porque sinceramente, sei que não será nada fácil…” 

Jesus representa minha aspiração maior, o trabalho espiritual feito, a linha de chegada após muitos tropeços e feridas. Depois disso, claro que terei bastante trabalho, mas será realmente incrível poder ajudar o Universo estando de posse de uma paz absoluta, imorredoura, permanente!

O que acontece é que, até lá, outros modelos devem me inspirar, principalmente nas questões de superação. Isso porque Jesus não precisou superar absolutamente nada. Ele já era perfeito, portanto, nada a superar no campo psicofísico, social ou espiritual. Não cometeu erros para precisar retomar o caminho do bem.

Entretanto, eu…

Joseph Campbell, o eminente psicólogo americano, após estudar um número considerável de mitos e lendas do mundo todo, de épocas variadas, descobriu que as grandes sagas contadas e escritas, representam nossa própria história emocional. Uma saga de superação. Todos passamos por grandes desafios em uma encarnação e precisamos encontrar, dentro de nós, elementos de transcendência, capazes de nos tornar fortes o suficiente para ultrapassarmos os entraves (mesmo o da própria morte) e sairmos deles melhorados, transformados, refeitos. 

Dentre os muitos modelos de superação, encontrei Lucano, uma alma que, há dois mil anos, reencarnou em Antióquia, nove anos antes de Jesus nascer.

Hoje ele é conhecido como São Lucas, por conta de seus "feitos milagrosos" como médico, mas não só. Lucano escreveu o maior dos evangelhos sobre a vida de Jesus e também o Ato dos Apóstolos, a pedido de seu amigo, Paulo de Tarso…

Lucano entrou em minha vida por influência materna. Ainda menina ela me dizia que gostaria de ter estudado medicina, mas que, por falta de oportunidades, acabou se formando enfermeira. 

Cresci vendo minha mãe cuidar de doentes de todo gênero, classe social ou idade. Vez ou outra, quando chegava em casa da escola, encontrava no sofá algum parente, amigo ou mesmo um desconhecido, recebendo ajuda. 

Via ela limpando feridas, trocando fraldas, dando banho, comida, água, vestindo, etc. Pacientes com traqueostomia eram cuidados por ela, sem receios.

E, sempre que eu estava por perto, acabava ajudando. 

Um dia, quando contava com 14 anos, minha mãe me entregou um livro escrito pela historiadora Taylor Caldwell para ler: Médico de Homens e de Almas. 

Disse: “A vida deste médico é minha fonte de inspiração… Leia!” 

Li o livro em duas semanas, entre risos e lágrimas. Fiquei fortemente impressionada! 
Foi quando pensei em me tornar médica. 
Mas a vida seguiu com suas demandas e, por fim, realmente me formei com vistas a tratar da saúde das pessoas, só que mental. Tornei-me Psicóloga.

Depois de muitos anos, minha filha também leu a obra… e se tornou médica. 

Parece-me que Lucano inspirou nosso fazer por aqui. Tanto que no vestibular em que ela foi aprovada, o tema da redação foi justamente a vida e obra de São Lucas!

Mas, falando ainda sobre o livro, devo confessar que, até então, tinha receio sobre a veracidade dos fatos na obra de Taylor, afinal tinha aspectos ficcionais, já que romanceado. 

No prefácio, a autora comenta que leu cerca de 1000 livros sobre Lucano antes de escrever sobre ele, ao longo de 46 anos.

Isso me deixou bastante confortável. Porém, quando soube que Emmanuel teria dito a Chico Xavier que Taylor naquela encarnação veio como mãe de Lucano, meu coração vibrou mais alto.

Sim, o livro traz muita inspiração e lembranças arcaicas daquela que fora sua mãe. Quando li o comentário de Emmanuel pude compreender a pergunta que Taylor coloca, ainda no prefácio: “Por que São Lucas foi uma obsessão para mim, e por que sempre o amei, desde a infância? Não sei...” 

O livro em questão narra a trajetória de uma alma cheia de fé e força, desde sua meninice, por volta de seus 08 anos de idade, até a fase adulta, com seus quarenta anos, quando se encontra e trava alguns diálogos com Maria, mãe de Jesus, e esta lhe conta detalhes sobre a vida (incluindo a infância) do querido Mestre…

Lucano sempre acreditou na existência de um Deus único, criador de tudo e de todos, mantenedor, protetor, amoroso e onipresente. Talvez por influência de seu pai, Enéas, que lhe contava, orgulhoso, sobre as histórias de antigos gregos que acreditavam na existência de um único Deus, a despeito de toda a mitologia em que aquele povo estava mergulhado.


Segundo historiadores, o filósofo Epimênedis (600aC), da ilha de Creta, afirmava que Deus era um só,  indo contra a crença da maior parte dos gregos. 
Passou décadas resmungando e trabalhando. Naqueles tempos difíceis não se deu conta de que jamais esteve longe de Deus, pois operava curas espantosas, impossíveis  aos olhos do homem comum.
Quando tomado de intensa dor, Lucano, em lágrimas abundantes, orou fervorosamente a Deus, pedindo ajuda para o amigo.

Conta-se que, certa vez, uma grande seca aconteceu naquela região. Após diversas tentativas de agradar aos inúmeros  deuses, um dos oráculos teria dito que deveriam procurar por Epimênedis, pois ele lhes diria como resolver o problema. Quando visitado, o filósofo teria dito que deveriam erguer um templo ao Deus único, desconhecido de todos e que, para isso, teriam de colocar ovelhas no alto da montanha observá-las. Para onde elas se dirigissem, lá seria o local apropriado. 
Ao fazerem isso, perceberam que os animais desceram a colina e seguiram rumo aos campos. E lá ergueram um templo  dedicado a este Deus… e a seca se foi.

Verdadeiro ou falso o episódio, o que se sabe é que pesquisadores realmente atestam o fato de que existiam pessoas monoteístas entre os gregos.

Talvez esta influência tenha chegado até Lucano, pois, segundo Taylor, desde menino, falava sobre Ele e com Ele…

Em sua infância, Lucano ligou-se sobremaneira à alma de Rúbria, filha de Diodóro, governador romano na Antióquia, senhor das terras onde sua família vivia, desde sempre. 

Seu pai, Enéas, antes escravo, fora libertado pelos pais de Diodóro, que os tratava com respeito e cuidado…

Lucano desde muito cedo demonstrou dons especiais para a cura. Sabia reconhecer e manejar as plantas, dizendo-se inspirado pelo Deus desconhecido…

Ainda menino, vira a grande estrela no céu, que apontava o nascimento do Messias - a estrela de Belém, que se movimentou pelo céu, rumo ao oriente. Estava junto de Keptah, o médico caldeu que trabalhava para a família de Deodoro e que também acreditava na vinda de um grande Mestre, por conta das escrituras de seu povo.

Acontece que Rúbria, sua querida amiga, sofria de uma doença grave, na época chamada de “doença branca”, hoje conhecida como Leucemia. 

Keptah sabia da gravidade do caso. E, embora tenha alertado o menino sobre o destino difícil da garota, Lucano continuou acreditando que o Deus desconhecido operaria um milagre, salvando-a, no momento certo. 

Em muitos momentos ele mesmo preparava remédios para a amiga, aliviando suas dores…

Mas o fato é que, a despeito de nossos desejos mais vivos e intensos, a morte nos visita, seja através de perdas materiais, físicas ou mesmo com o falecimento de pessoas amadas…

E assim foi com Rúbria. Ainda adolescente, piorou sobremaneira de sua doença;ca fatal. E em seu leito de morte, disse a Lucano que ele deveria compreender, aceitar e ser feliz, pois ela estava bem, em paz. 

Mas Lucano não aceitou o fato, vindo a desenvolver aquilo que hoje chamamos de luto patológico. Devido a sua relação de amor intenso e a certeza sempre presente da ajuda divina (seguida de enorme frustração), revoltou-se contra Deus, acusando-o de cruel e injusto. 

Dizia crer na existência Dele, mas não mais em seu amor e justiça.

Foi assim que decidiu desenvolver seu talento para a medicina, não em busca de amenizar sua própria dor, sua ferida, através de um sentido existencial, mas para duelar com o Criador, numa batalha inglória contra a morte.

Durante sua formação, em Alexandria, teve contato com grandes pensadores, de todas as áreas do saber humano. Tornou-se um bom matemático, ótimo pintor e exímio médico. 

Depois de formado, trabalhou em embarcações, tratando dos viajantes, fazendo longas viagens pelo mediterrâneo. Quando em terra, atendia os pobres e necessitados de toda ordem...

Em uma de suas navegações, chegou a curar todos os escravos confinados no porão, acometidos pela peste negra (incurável na época) usando alguns poucos recursos (água, sabão e alguns medicamentos contra dor). 
Segundo os relatos daqueles homens, Lucano vestia-se de luz intensa, quando focado no cuidado dos desvalidos.

Durante todo seu percurso como médico, priorizou o atendimento dos miseráveis, dos escravos, dos socialmente perseguidos e excluídos. Taylor narra encontros impressionantes, curas variadas e lutas intensas em seu coração amargurado.

Lucano afastou-se da mãe, após a morte de seu pai… afastou-se de amigos, colegas e todos aqueles a quem amava, por receio de novas perdas. Isolou-se do mundo, tornando-se amargo, triste, seco. 


Lucano alimentava-se mal, dormia pouco, sentia-se infeliz…Apresentava sintomas de um luto não elaborado, complicado, doentio.

Após muitos anos (mais de duas décadas de crises psíquicas/ espirituais), percebeu a mão amorosa do Criador, principalmente quando viu, atônito, a cura de seu grande amigo africano, cego por conta de uma surra violenta que sofrera. 

 Uma prece de todo o coração… que vibrou até as esferas mais elevadas... e que foi respondida, prontamente...

Após muitas crises, o médico reformado trabalhou o próprio remorso, transformando-o em reparação bendita, que nos atinge, até os dias de hoje.

Decidiu ir até Israel, para se encontrar com Maria - mãe daquele que efetuara inúmeros "milagres" e que era bendito por muitos pobres e desvalidos do mundo. 

Sentiu enorme atração por Jesus e, ao conhecer Maria, pode ter certeza absoluta de sua grandiosidade e amor sublime. 

Tempos depois deste encontro com Maria, Lucano conheceu Paulo de Tarso, e com ele fez viagens de apostolado, escrevendo o maior dos Evangelhos e o Ato dos Apóstolos, usando  em suas páginas diversos termos médicos (da época) e muita amorosidade. 

Só em seu evangelho encontramos dados da infância de Jesus, assim como referências a Maria de Magdala e outras mulheres. Curiosamente, as parábolas propostas não estão em ordem cronológica, mas, em muitos casos, intercalam a ajuda a um homem e depois, a ajuda a uma mulher…

Lucano por certo defendia a igualdade, a justiça, o amor, para além das questões culturais e de época.

Foi sim um exemplo de superação, de cuidado, de amor.

Do luto patológico, trabalhou as questões do talento, das feridas e da aceitação. Compreendeu que nada surge para nos destruir, mas para nos transformar. E sempre para melhor.

Mostrou que por mais nos afastemos da amizade com Deus, Ele jamais se afasta de nós e que sempre podemos retomar nossa essência, com sabedoria e paz.

E é por isso (e muito mais) que Lucano foi e ainda é um grande modelo para mim…
Para nós!

sábado, 26 de agosto de 2017

Colo de Mãe

Colo de mãe é aconchego. É pitada de dengo doce com maçã ralada e pó de canela. É lugar sagrado, onde a mente descansa depois da brincadeira, da escola ou de algumas lágrimas salgadas.

Colo de mãe é acolhimento. É espaço de não-julgamento, onde a dor de uma culpa gigante vai diminuindo, embalada, até ficar do tamanho de uma sementinha de flor.

Colo de mãe é força. É cama macia entre dois braços firmes, contando pra gente que estamos seguros, mesmo depois do mundo acabar.

Colo de mãe é carinho. É afago delicado, na medida certa.  É potência divina em ação, ensinando que o amor deve ser partilhado, sempre que necessário, com qualidade e devoção.

Colo de mãe traz um céu para a Terra com o cantar do coração. Coração que bate calmo, e que mostra ao filho que tudo está bem, apesar das bombas no mundo.

Colo de mãe é pilar que sustenta o ego do filho. Alicerce que permite à criança desenvolver a confiança em si mesma, ficando firme lá fora, mesmo quando alguns desavisados dizem o contrário.

Colo de mãe é oxigênio. É o respirar que movimenta a cabeça do filho de lá para cá, de cá para lá, delicadamente, convidando a alma ao descanso necessário.

Colo de mãe é impermanência. Ora está, ora se foi. Mas quando acontece, ensina que é preciso paciência, até que possa voltar, com um novo sorriso.

Colo de mãe é prece. É o retrato de Mãe Maria, a embalar seu filho querido, num momento de conexão sagrada, tendo um estábulo como paisagem.


Colo de mãe é Deus. É sustento absoluto enquanto crescemos, distraídos, nesta vida, com seu mar de experiências. Vida intensa e exigente mas que, por amor a todos nós, logo ao nascermos para o mundo, nos presenteia com um essencial e maravilhoso COLO DE MÃE.

domingo, 20 de agosto de 2017

Oração de Uma Mulher


Que eu possa ser como Maria, Senhor!
Não a que padecia, entregue aos equívocos do prazer efêmero,
Mas a outra, já desperta, que te acompanhou nas estradas do caminho,
E que, quando em frente ao sepulcro vazio,
Atônita e preocupada, pôde ver-te materializado, em plena luz do dia,
Conferindo a alegria da vida eterna!

Que eu possa ser como Maria, Senhor!
Não aquela que inda menina desconhecia o Amor Verdadeiro,
Mas a que decidiu ouvir-te, curvada, na soleira da própria casa,
Mesmo quando sua irmã Marta reclamava assistência imeditada...
E que, feliz, descobriu estar certa
Já que as primícias do Reino valem o tempo que for necessário...

Que eu possa ser como Maria, Senhor!
Não aquela que por vezes sentiu receio de tua missão sacrificial;
Mas a que confiou no anjo bom, com sua profecia divina,
E que após as dores do parto, abraçou-te amorosamente,
Num estábulo desconfortável,
E deu-te da própria vida para que a vida em ti florescesse.

Que eu possa ser como Maria, Senhor!
Sabendo amar para além de mim mesma,
Nesta Terra de tantos desencontros...
E depois de tudo, encontrar-me contigo
Num bonito entardecer
Às margens do grande lago
Para ouvir-te, uma vez mais
e contigo me fortalecer
Antes de um novo recomeçar...


Claudia Gelernter.

Mediunidade, Médiuns e a Conexão Mental Entre Todos os Seres

"Tudo é trabalho da mente no espaço e no tempo, a valer-se de milhares de formas, a fim de purificar-se e santificar-se para a Glória Divina". 
André Luiz (Entre a Terra e o Céu, Capítulo XX, p. 128).
  
O tema mediunidade é de grande importância, já que faz parte da grande Lei Divina ou Natural. Todos a possuem, mesmo que de forma rudimentar, e se trata da capacidade de percebermos, nos impressionarmos ou simplesmente sermos influenciados, tocados por outras mentes, quer estejam elas mergulhadas no campo físico ou não.


Explicou Kardec, em O Livro dos Médiuns, capítulo 14, item 159, que “toda pessoa que sente a influência dos Espíritos, em qualquer grau de intensidade é medium. Essa faculdade é inerente ao homem. Por isso mesmo, não constitui privilégio. (...) Pode-se dizer, pois, que todos são mais ou menos médiuns.” (2005)

Vale ampliarmos um pouco mais este conceito, a fim de podermos fazer algumas diferenciações importantes. A palavra médium faz referência, principalmente, à capacidade da pessoa ser intermediária entre dois planos da vida (o mundo corporal e o espiritual). Sendo assim, médium seria “aquele que está no meio”, o que faz conexão com mentes ou lugares em outra dimensão e exterioriza o que percebe. Seria aquele que traz aquilo que percebeu no outro plano da vida para a dimensão onde está inserido.

Sob este ponto de vista, podemos dizer, ainda, que todos possuem mediunidade, mas nem todos atuam como médiuns (falo aqui no sentido de atividade mediúnica). Isso porque aquele que é influenciado por outras mentes nem sempre servirá de “ponte” entre os dois planos, tampouco se utilizará de suas capacidades medianímicas para produzir determinados fenômenos (pintura mediúnica, psicografia, efeitos físicos, etc).  E mais ainda: a maior parte das pessoas sequer tem consciência de que sofrem algum tipo de influência de outras mentes.

Na verdade, muito se fala sobre os médiuns oestensivos, ou seja, aqueles que são mais influenciáveis, que percebem mais concretamente a ação e presença dos Espíritos (encarnados ou desencarnados), produzindo, por conta de sua predisposição perispiritual, fenômenos variados.

Ainda no mesmo capítulo acima citado, Kardec salienta que essa faculdade (mediunidade) não se revela em todos da mesma maneira. Os médiuns têm, geralmente, aptidão especial para esta ou aquela ordem de fenômenos, o que os divide em tantas variedades quantas são as espécies de manifestações. As principais são: médiuns de efeitos físicos, médiuns sensitivos ou impressionáveis, auditivos, falantes, videntes, sonâmbulos, curadores, peneumatágrafos, escreventes ou psicógrafos.” (cap. XIV)

O presente artigo não pretende esmiuiçar estes tipos de mediunidade, estudados com frequência nas Casas Espíritas, através das obras básicas e complementares. Aqueles que desejam aprender mais a respeito, devem buscar meios para isso, principalmente a leitura minuciosa de O Livro dos Médiuns, por ser ele o melhor roteiro para aqueles que se percebem mais sensíveis e que pretendem desenvolver melhor suas capacidades perceptivas.

O trabalho mediúnico é tarefa séria, que requer mais que amorosidade: exige também a prática de estudo constante, auto vigilância e dedicação rotineira, sob risco de erros e quedas graves.

Neste texto buscarei destacar a realidade da mediunidade no nosso cotidiano, a questão da natureza dos pensamentos e as possíveis sintonias e conexões firmadas entre nossa mente e a de outros seres.

Isso porque muito do que sentimos, fazemos, pensamos, além de alguns  sintomas físicos, podem ter em sua gênese algo mais que somente a ação ou sentimentos do próprio Espírito reencarnado.

A Natureza dos Pensamentos

Mas, afinal, o que são pensamentos? De onde vem e o que ocasionam?
A respeito deste tema existem variadas teorias. Não me deterei demasiado tempo nas explicações sobre elas (que são muitas), já que a discussão sobre a relação mente-cérebro ainda está na pauta da ciência, em muitas das universidades, do mundo todo. O meio acadêmico ainda não chegou a um consenso a respeito.  Resumidamente, e dividindo estas teorias em dois grandes grupos, podemos dizer que parte dos neurocientistas – aqueles que se apoiam em uma base teórica (filosófica) materialista/reducionista – afirmam que a mente é um produto cortical, que os pensamentos são parte desta mente que nada mais é que uma excreção, um subproduto de ligações complexas cerebrais. “Frequentemente acreditam que o cérebro humano é a resposta, que a mente não existe, ou que é apenas um produto (para alguns, um epifenômeno, um subproduto ineficiente) da química e da atividade elétrica cerebral.” – explica o Prof. Dr Alexander Moreira-Almeida, da UFJF, no inicio de um de seus artigos sobre esta tal discussão. Para estes, tudo é matéria e nada existe ou sobrevive ao corpo e seus processos.
Entretanto, um crescente número de estudiosos vem afirmando que existem evidências robustas de que a mente é externa ao corpo e que ela é quem dá o tom aos processos cerebrais e físicos. Dentre outras frentes de pesquisas, estes cientistas (grupo do qual faz parte o próprio Dr. Alexander Moreira-Almeida) seguem realizando estudos sérios a respeito das EQMs (Experiências de Quase Morte). Teorias unicamente materialistas não conseguem explicar como as pessoas experienciam pensamentos complexos e vívidos que são validados como verídicos posteriormente, em momentos nos quais a atividade cerebral está aparentemente ausente.

Para nós, que aqui discutimos a questão da mediunidade e as influências espirituais, obviamente a mente é externa ao corpo, preexistente e sobrevivente a ele e os pensamentos são resultado de sua atividade e não do cérebro. O que ocorre é que o cérebro – uma máquina extremamente influenciável, com sua plasticidade e capacidades próprias, pode criar caminhos sinápticos de repetição, promovendo a continuidade de mesmos pensamentos, até quando a mente (alma) já não mais deseja repeti-los. Vale dizer que tal “viciação” só ocorre após muitos estímulos repetidos da mente.

Por exemplo, a pessoa, por conta de uma experiência marcante negativa com alguém, registra no campo emocional o evento como aversivo e repete pensamentos de raiva contra aquele que cometeu o suposto mal contra ele. Depois de algum tempo todo o sistema cerebral estará encharcado com esta natureza de pensamentos, fazendo-os repetir, mesmo quando estes se tornam prejudiciais ao ser pensante.

E mais: tais pensamentos repetidos acabam por formar, em torno da pessoa, uma aura específica. Os fluidos se transformam, absorvendo o tom dado pela mente autora, exteriorizando-se, modificados. Disse Kardec que “os maus pensamentos corrompem os fluidos espirituais, como os miasmas deletérios corrompem o ar respirável” (LM. cap. 14 item 16).

Pode-se concluir assim, que em torno de uma pessoa, de uma família, de uma cidade, de uma nação ou planeta, existe uma atmosfera espiritual fluídica, que varia vibratoriamente, segundo a natureza moral dos Espíritos envolvidos.

Atmosfera Fluídica e Sintonia.

Emmanuel, na obra “Roteiro”, esclarece que: “Somos obsidiados por amigos desencarnados ou não e auxiliados por benfeitores, em qualquer plano da vida, de conformidade com a nossa condição mental. Daí, o imperativo de nossa constante renovação para o bem infinito.

A questão da natureza dos pensamentos é algo muito mais sério do que pensam alguns. Jesus já dizia que o adultério começa nos pensamentos e que já ali a questão é grave. No livro Nos Domínios da Mediunidade, ditado pelo Espírito André Luiz, psicografado por Francisco Cândido Xavier, o orientador Áulus comenta que “arrojamos em nós a energia atuante do próprio pensamento, estabelecendo, em torno de nossa individualidade, o ambiente psíquico que nos é particular.” (...)  e que “nossa mente é um núcleo de forças inteligentes, gerando plasma sutil que, a exteriorizar-se incessantemente de nós, oferece recursos de objetividade às figuras de nossa imaginação, sob o comando de nossos próprios desígnios.” Mas não paramos por aí. Além de exteriorizarmos formas-pensamento, acabamos por alterar fluidos e nos sintonizamos com outras mentes a partir da qualidade destes pensamentos. Diz ainda o orientador espiritual que “onde há pensamento, há correntes mentais e onde há correntes mentais existe associação. E toda associação é interdependência e influenciação recíproca.
Estamos aqui destacando a questão da sintonia mental, uma Lei natural, que nos faz viver em regime de interdependência psíquica, além da orgânica, como a natureza já nos demonstra, diuturnamente.

Portanto, a ideia de individualidade total e de sigilo absoluto dos pensamentos é equivocada. 


 À esta atmosfera fluídica que criamos, associam-se seres desencarnados com tendências morais e vibratórias semelhantes, através desta Lei.

Por esta razão, os Espíritos superiores recomendam que nossa conduta, nas relações com a vida, seja a mais elevada possível. Uma criatura que vive entregue ao pessimismo e aos maus pensamentos, tem em volta de si uma atmosfera espiritual escura, da qual aproximam-se Espíritos doentios. A angústia, a tristeza e a desesperança aparecem, formando um quadro físico-psíquico deprimente, que pode ser modificado sob a orientação dos ensinos morais de Jesus.

Perispírito, mediunidade e as várias dimensões em que a vida acontece.

Kardec toma alguns cuidados ao organizar a doutrina dos Espíritos.

Um deles foi o de criar palavras novas para conceitos novos, a fim de evitar confusões teóricas. Dentre elas, passa a chamar de períspirito o envoltório fluídico que dá forma ao Espírito, constituído de matéria sutil, não perceptível aos olhos físicos. Antes dele, diversas culturas já falavam a respeito deste corpo espiritual, usando outros nomes, mas destacando propriedades específicas, tais como a dos Centros de Força (Chakras, para os hindus), que foi tão bem explicado, posteriormente, pelo Espírito André Luiz.

Logo no início de sua mais famosa obra, Zimmermann, no livro “Perispírito”, explica que "Perispírito é o envoltório sutil e perene da alma, que possibilita sua interação com os meios espiritual e físico" (Cap. I, p.23).

Possui a propriedade de ponderabilidade (pode ser submetido a medida de peso) e luminosidade (pode ser mais ou menos luminoso, de acordo com as características evolutivas do Espírito).

Outra propriedade é a de penetrabilidade. Por conta dela, os espíritos podem atravessar paredes ou qualquer barreira física. Contudo, os desencarnados que ainda são muito ligados à matéria podem não conseguir atravessar obstáculos físicos em decorrência de seu estado mental de baixo potencial vibratório, o que condiciona suas possibilidades, visto que seu perispírito está revestido de matéria mais densa.

Outra característica é a de expansibilidade, que significa a ampliação do campo de sensibilidade do períspirito. E é por conta desta característica que acontecem diversos processos de percepção mediúnica.

O perispírito, quando materializado pode ser tocado, portanto é dotado de tangibilidade. Esta é uma das formas de manifestação dos Espíritos.

O perispírito é perene, está ligado à alma e como esta, não pode ser destruído. Possui, ainda, a característica de mutabilidade. Zimmermann afirma que:

"O perispírito, no decorrer do processo evolutivo, se não é suscetível de modificar-se no que se refere à sua substância, o é com relação à sua estrutura e forma". (Zimmermann, Perispírito, Cap II, p.55).

Graças às suas propriedades, também é reservatório de memórias do Espírito, possuindo plasticidade, podendo alterar sua forma, de acordo com as predisposições e vontades da mente.

O mais importante a se saber aqui, por conta do tema proposto, é que o períspirito apresenta densidade variável de acordo com a evolução do Espírito.

Por ser suscetível de transformar-se estruturalmente, o períspirito pode tornar-se mais ou menos denso, de acordo com nossos pensamentos/ sentimentos. Sendo assim, quando cultivamos ideias negativas, maldosas, de desistência, raiva, etc. automaticamente alteramos o “peso”e a densidade do períspirito, passando a vibrar em dimensões também mais pesadas, onde transitam almas no mesmo padrão. Basta alterarmos nossos sentimentos para sairmos de uma paisagem vibratória para outra, instantaneamente. O oposto é verdadeiro: quando vibramos amor, no mesmo instante saímos de uma dimensão mais densa para outra, mais elevada, pacificada, harmoniosa.


Oração, Desdobramento e Espíritos Orientadores

Dado o fato de que vivemos em um mundo de provas e expiações, por necessidade e merecimento, estamos sempre recebendo imputs de natureza inferior, assim como, por conta de nossa própria imaturidade psiquica/espiritual, continuamos lançando no mundo nossos próprios dardos mentais, alterando negativamente os fluidos que nos envolvem, influenciando também o meio no qual estamos inseridos.

A questão é que nossa essência real é divina, portanto, amor, paz. E sempre que nos desviamos do caminho amoroso, sofremos, porque nos afastamos do nosso eu real, divino, cósmico. A dor entra neste processo como instrumento pedagógico, capaz de nos fazer retomar ao bom caminho, reconhecendo a trilha do bem como sendo a melhor possível.

Sempre que pensamos e realizamos coisas boas, as sensações são as melhores possíveis, só sendo diferente nos casos de profunda viciação junto ao mal.

Na maior parte dos casos, quando acertamos o passo, logo sentimos melhora geral.

E, para conseguirmos melhorar neste caminho cheio de dificuldades, Jesus e outros sábios da antiguidade nos ensinaram o valor da prece.

Se nossos pensamentos modificam os fluídos, tanto positiva como negativamente, e se estes fluídos atraem outras mentes, entendemos que para atrairmos o concurso dos bons espiritos precisamos elevar o tom mental.

A oração traz em si um roteiro de pensamentos mais elevados, pois denota fé no apoio dos irmãos mais maduros que nós, de Deus, coloca a mente aberta para as boas sugestões, por conta da própria vontade direcionada.

Recordemos que André Luiz só recebeu o socorro de que tanto necessitava após utilizar-se do recurso da prece, oito anos após sua chegada a uma das regiões densas do mundo espiritual. Mesmo a intervenção constante de sua mãe - espírito de alta hierarquia moral - e de outros amigos dela, não foi suficiente para retirá-lo de sua situação miserável. Foi preciso um movimento dele, no sentido de dar algo de si, alterando a própria densidade perispiritual, a fim de poder abrir-se para a ajuda que ali estava, desde antes.

Faz recordar a passagem evangélica, narrada pelos quatro evangelistas, sobre quando Jesus teria alimentado uma multidão de pessoas, antes de ensiná-los sobre a Boa Nova, nos arredores de Betsaida. De acordo com os evangelhos, quando Jesus ouviu que João Batista havia sido morto, partiu solitariamente para a  pequena vila de Pescadores. Mas o povo o seguiu e, estando lá, Jesus se compadeceu deles, curando muitos doentes.

À noite, muitos estavam com fome e os discípulos procuraram o mestre, dizendo que as pessoas deveriam ir embora em busca de alimentos. Porém, Jesus pergunta aos amigos quais alimentos poderiam oferecer, ao que responderam: “apenas cinco  pães e dois peixes, senhor”.  Jesus os toma e multiplica-os, a ponto de conseguir alimentar 4000 pessoas, com sobras de dez cestos...

Assim também se dá nas questões da alma. Quando buscamos melhorar nosso padrão mental, conseguimos nos ligar aos bons amigos espirituais e eles então multiplicam nossas possibilidades existenciais, de maneira positiva, inspirando-nos no bom caminho, amparando-nos em nossas dores, aliviando nossos pesares. Não foi por outro motivo que Jesus também nos ensinou que “àquele que tiver, mais será dado...”

Na questão 495 de O Livro dos Espíritos, Santo Agostinho e São Luiz comentam sobre a ação destes Espíritos Protetores. Pedem que mantenhamos contato constante com eles, melhorando nossas condições mentais, psíquicas, emocionais. Vejamos a parte final de seus elevados comentários:

“Não temais fatigar-nos com as vossas perguntas; permanecei, pelo contrário, sempre em contato conosco: sereis então mais fortes e mais felizes. São essas comunicações de cada homem com seu Espírito familiar que fazem médiuns a todos os homens, médiuns hoje ignorados, mas que mais tarde se manifestarão, derramando-se como um oceano sem bordas para fazer refluir a incredulidade e a ignorância. Homens instruídos, instruí; homens de talento, educai vossos irmãos. Não sabeis que a obra assim realizais: é a do Cristo, a que Deus vos impõe. Por que Deus vos concedeu a inteligência e a ciência, senão para as repartirdes com vossos irmãos, para os adiantar na senda da ventura e da eterna bem aventurança?”  São Luis, Santo Agostinho


Temos aprendido, ainda na mesma obra, que o Espírito, no momento do sono físico, não fica enclausurado junto ao corpo, mas sai dele, num processo denominado desdobramento. Isso fica claro na questão 401, quando Kardec faz a seguinte pergunta: “Durante o sono, a alma repousa como o corpo?” E a resposta dos Espíritos é direta:
“—Não, o Espírito jamais fica inativo. Durante o sono, os liames que o unem ao corpo se afrouxam e o corpo não necessita do Espírito. Então, ele percorre o espaço e entra em relação mais direta com os outros Espíritos.”

Diante de todo o exposto até aqui, fica claro que, por questões de vontade, afinidade e sintonia, nos ligaremos aos espiritos que conjugam do mesmo padrão que o nosso. E, estando parcialmente libertos na média de 08 horas de sono do corpo, entendemos que podemos melhorar, manter ou piorar nossa existência, nossa posição no quadro evolutivo, de acordo com o que realizamos neste 1/3 de tempo que nos é concedido pela vida, com maior liberdade espiritual.

Daí a importância da prece antes do adormecimento físico. Não a prece decorada, seca, vazia, desprovida de sentimento nobre, mas aquela que nasce do ângulo mais sagrado do nosso coração, para que possamos alterar nossas condições internas e externas e, assim, conseguimos contatar os irmãos mais maduros e sábios que nós e, com eles, seguirmos em frente, trabalhando, estudando e nos instrumentalizando, para, enfim, construírmos em nós e fora de nós, o tão almejado Reino de Deus.



A Prática do Evangelho no Lar e a mediunidade com Jesus

Inegável que a energia, a atmosfera psíquica dos templos sagrados, onde se cultivam as preces feitas com uma fé robusta, é salutar. Lugares onde as pessoas buscam realizar aquilo que de melhor levam em seus corações.  A esta energia peculiar, agradável e curadora, também damos o nome de egrégora. Trata-se de uma força fluídica criada a partir da soma de energias coletivas (mentais, emocionais).

No lar não é diferente.

Ensinam-nos os Espíritos amigos que, quando nos reunimos em nome de Deus, independentemente da religião professada pelos familiares, tendo por objetivo principal a união das almas, em busca do sagrado, de inspirações salutares e proteção espiritual, os bons Espíritos assumem conosco este compromisso de contato e oração, fazendo formar uma sinergia especial, capaz de produzir uma blindagem energética, protetora. Tais Espíritos também retiram do ambiente doméstico as energias mais densas, acumuladas pelas vivências cotidianas. Além disto, no momento do sono, continuam conosco, a fim de nos orientarem nas atividades da noite.

Ou seja, quando evocamos estes benfeitores, para com eles unirmos forças emocionais, através da prece ao Criador, à Jesus, podemos promover mais facilmente, em nós e no grupo familiar, uma sensível alteração nos padrões psíquicos.

Podemos sentir maior alívio em nossas preocupações, coragem no enfrentamento de nossos desafios, paciência no contato com os outros, etc.

Por certo que esta prática só produz resultados quando a vontade for sincera e a dedicação à mudança íntima estiver sempre presente.

Cabe aos pais e responsáveis promoverem este encontro com as esferas mais elevadas da vida, a fim de manter o grupo familiar em caminho mais seguro, rumo a vitórias coletivas.

Recordemos que, seja qual for nossa missão na Terra, ela sempre está atrelada à melhora do eu, desfazendo-nos da nossa pequenez egóica, aprofundando-nos na nossa porção mais sagrada, divina, concomitantemente auxiliando nossos irmãos do caminho neste processo.

E, neste caminhar, nada melhor que usarmos nossa mediunidade, ou seja, a nossa capacidade de conexão espiritual, para contatarmos as forças do Cristo.
Porque, assim como nosso querido mestre nos ensinou, sua energia, seus exemplos e palavras são, sem dúvida alguma, o caminho, a verdade e a vida.
E é através desta sintonia sagrada que poderemos aumentar nossas capacidades de mudança positiva, sejam elas de ordem íntima, familiar ou planetária.


Referências Bibliográficas:

KARDEC A. O Livro dos médiuns ou Guia dos médiuns e dos evocadores. Trad. de Guillon Ribeiro da 49. ed. francesa. 76. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
___________. O Evangelho segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro da 3. ed. francesa rev., corrig. e modif. pelo autor em 1866. 124. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2004.
__________. O Livro dos Espíritos: princípios da Doutrina Espírita. Trad. de Guillon Ribeiro. 86. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
___________A Gênese: os milagres e as predições segundo o Espiritismo. Trad. de Guillon Ribeiro da 5. ed. francesa. 48. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

MOREIRA-ALMEIDA, A. Explorando a relação mente-cérebro: reflexões e diretrizes- Exploring mind-brain relationship: reflections and guidelines, Rev. psiquiatr. clín. vol.40 no.3 São Paulo  2013.

XAVIER, F C. Roteiro. Pelo Espírito Emmanuel. 7.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB. 1986.
____________. Nos domínios da mediunidade. Pelo Espírito André Luiz. 32. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.
____________. Entre a Terra e o Céu. Pelo Espírito André Luiz. 23. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2005.

ZIMMERMANN, Z. Perispírito. 1ª ed. Campinas, SP: CEAK, 2000.